quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Clientela


Clientela

Na clientela da Luz
Há lugar para todos:
Os bilhetes são a rodos,
Dados a quem lhes faz jus!

Sejam juízes desportivos, 
Polícias, políticos, 
Árbitros e "paralíticos",
Todos têm os "cativos"!

Seja o chefe d'esquadra
Ou o inspector da PJ,
Ou o outro que baix'a nota,
Tudo vê o jogo de borla!

Seja jogo nacional
Ou final da Liga Europa, 
O clube da batota 
Compra todos por igual!

O clube tem clientela 
Pr'a tão baixo preço, 
E ninguém vai preso 
Por tal bagatela!

Vendem-se por bilhetes 
Os da clientela, 
E a vida é bela 
Pr'a estes joguetes!

Vão ver o benfica,
O glorioso!
E o sentido decoroso 
Na nação se fica...

É, pois, a polícia,
Que lá tem o bilhete, 
E o chefe passa o torniquete 
Ao lado da milícia!

É est'o estado 
Da dita nação, 
Onde qualquer ladrão 
Se tem bem guardado!

Mesmo c'o inspector 
Ali no camarote,
E a investigação por mote 
"Acusador"...

Está-se mesm'a ver 
O teor da justiça, 
Quando é a própria polícia 
Que se faz vender!?

Quem acredita 
Num Estado tomado?
Um bilhete dado 
À força pública?!

Não há pudor
Nem há moral, 
Este é o Portugal 
Vencido p'lo Adamastor!

A própria autoridade
Assim comprada
Numa clientela preparada 
À própria arbitrariedade!

Fazem parte da relação 
Dos "convites";
A polícia tem limites 
No campo d'actuação!

Este quadro 
De cumplicidade,
É fonte d'autoridade 
Deste outro Estado!

O benfica
É um Estado dentro do Estado;
A prova? Não há um culpado 
Para a força pública!?

Pr'a todos estes indícios 
D'ilegitimas relações, 
Não haverá condenações 
Na ausência de vícios!!

Mas já se conhece
O leque de tal clientelismo, 
E como actua o dirigismo 
Qu'a teia tece:

É o chefe Elias,
É o chefe Cruz,
No Estádio da Luz 
Não há cadeiras vazias!

É o chefe Simões,
É o agente Barreira,
Não há, pois, clareira,
Em tais multidões!!

É o chefe Correia,
É o chefe João, 
E outros que estarão 
Pr'a sair na teia...

É o clientelismo 
Das forças do BES,
É o país de través 
C'o pluralismo!

É o centralismo,
"Os donos de tudo isto",
É o singular registo 
Do absolutismo!

Não há competição 
Onde o regime tudo tece, 
E onde a polícia s'esquece 
Da sua isenção...

Esta é uma nação
De faz-de-conta,
E o governo a sua montra 
De negação...

Joker

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